O Amor que se fez
Nos
olhos, a luta, roto a clamar,
A alma
em tormento, rubor a arder;
Foi dor
que se fez, arcano a calar,
Mas o
amor, nas sombras, a florescer.
Erguia-se
o muro, imenso e cruel,
Silêncio
profundo, alma a implorar;
Mas o
tempo, sábio, ágil e fiel,
Faz da
dor, calma, e do medo, o ar.
A turba
nega o beijo com ardor,
Dessabia
do amor as suas sendas,
E ao
bradar calado, anti o torpor,
O
deleite abraço, rompe as fendas.
A flama
da paixão, não mais se oculta,
E a
guerra interna, os poucos, o afeto, afaga.
Anima as
ondas, luze e tudo exulta,
E o fogo
em ardor gentil já não se apaga.
No
compasso, fez da luta harmonia,
E as
mãos que outrora, se desdém,
Se
entrelaçam em pura poesia,
Libertando
a alma, alcança o além.
Duas
flores que ramam o mesmo galho,
Dois
anjos que compartem a mesma vida,
Lírios
alados, ávidos de orvalho,
Querubins
que se beijam, flor florida.
Se
pairarem calar vossos amores;
Se
tentarem querer o não querer,
Inda que
o tempo dite a lida eterna,
As
pétalas fanar em vossas flores,
Os fios
de ouro em prata se verter;
Evoque, ledo, sua bênção paterna.
Edson Depieri
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