HERÓIS DA ETERNIDADE
HERÓIS DA ETERNIDADE
No chão da infância, cada passo, um traço,
Que o pai desenha com suor e retidão;
Seu dorso curva sob o peso do espaço,
Leve é o fardo ao erguer nossa missão.
Na labuta da vida, a mão se finca,
E, no suor, o sal que purifica;
Em ventos ásperos, a tez lhe vinca,
Forjando o pão na lida que edifica.
A mãe, vestal do amor e da esperança,
Tecendo nossa casta em grã suplício,
É plectro terno, cuja fé incansa,
Embora a alma sangre em sacrifício.
Renúncias de uma força inexplicável,
Cada vestígio é luz que não desfaz;
Amor em gestos, alma imaculável,
Um doce ninho, lócus de sua paz.
Meu fráter, lume que em meu curso aduz,
Guardião entre os espinhos desta vida;
Seu passo, em minha sombra, reluz,
Farol vivo, lição jamais perdida.
Migrei com eles, como folha ao vento,
Rasguei fronteiras de paragens ermas;
De cada luta, um broto de sustento,
Timão incólume em angra enferma.
Nos trilhos, fomos relíquias ao vento,
Co’a essência em urnas silenciosas;
Lavrando, em áridos firmamentos,
Mercatura de esperanças pendentes.
O pai sulca, entre ocasos e auroras,
Chão mais fértil, onde sonhos germinem;
A mãe, ao lado, co-lide de outrora,
Erguendo um lar d’amor, labor e amém.
A Morte, argêntea dama sem alarde,
Ceifou-lhe a riste em zênite ribalta;
Do flume olhar, em eco que não tarde,
A carne pranta, mas o céu exalta.
O elder toma a tocha com bravura,
Cavaleiro sob o manto da virtude;
Em sua ausência, amor vira
armadura,
Passos firmes fazem jus à
atitude.
A palma brota em fúlgido espanto;
Já não há olhos a vê-lo em sua
glória.
Only a alma, nos céus, refaz o
canto,
Iluminando o cálamo da história.
Ao memorar, é um misto de
alegria,
Do afeto e o luto, à luz que
irradia;
Somos trama que o destino, em
argila,
Modela o atol que o amor faz
moradia.
Vogamos nós em paz imaculada,
Elos de uma história que não
cessa.
Somos família, flama celebrada,
Herdade que a sina nos professa.
Edson Depieri
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